GUIA DE APOIO: CUIDADOS PALIATIVOS NO SUS
Para Pacientes e Familiares - Frente PaliATIVISTAS (2023)
Apresentamos sugestões práticas para apoiar você que está no sistema público a ser protagonista, minimizando o risco de indignidade durante um agravamento da situação de saúde. Aguardamos a política pública de Cuidados Paliativos no Brasil, mas enquanto isso, saiba como agir HOJE.
Lembre-se: Desamparo de qualquer natureza é falta de dignidade. Você tem DIREITO à dignidade.
01
Informação Segura
- Procure se informar em fontes seguras e verídicas sobre o que são realmente os cuidados paliativos.
02
Cuidados Paliativos são um Direito Humano
- Tenha consciência de que Cuidados Paliativos são um DIREITO HUMANO.
- O acesso a eles é altamente eficaz na prevenção e no alívio da dor e do sofrimento de pessoas que vivem com uma doença limitante.
03
Construa JÁ sua Rede de Cuidados
- Comece a organizar agora mesmo uma rede de suporte e cuidado ao seu redor.
- Inclua familiares, amigos, vizinhos e grupos religiosos.
- Envolva também grupos culturais e associações de pacientes que possuam possibilidades de ajuda mútua.
04
Identifique a Oferta na sua Região
- Consulte onde existe oferta de Cuidados Paliativos pelo SUS na sua comunidade, bairro ou município (pode utilizar a ferramenta SELFIE 2023 da Frente PaliATIVISTAS).
- Se não houver serviços na sua comunidade, você pode ser um protagonista na exigência dos seus direitos (via Secretaria de Saúde e Conselhos de Saúde Locais).
05
Continuidade e Comunicação
- Mantenha a comunicação ativa entre os diversos serviços do SUS (Hospital, UBS, SAD, UPA) desde o diagnóstico.
- Antes de receber alta hospitalar, pergunte à equipe como será a continuidade dos cuidados, se há acompanhamento domiciliar na sua região e como obter suas medicações.
- Sempre exija uma carta de alta assinada detalhando seu quadro, medicamentos e perspectivas, para facilitar a continuidade pela próxima equipe médica.
- Organize e guarde com você as informações sobre onde buscar ajuda de emergência caso haja piora domiciliar.
06
Conectando a Rede de Apoio Durante a Internação
- Oriente sua rede de apoio para conhecer os profissionais do hospital (enfermagem, serviço social, psicologia, nutrição, farmácia, etc.).
- Eles devem aproveitar o tempo de internação para pedir orientações práticas e aprender sobre as necessidades do seu cuidado antes de ir para casa.
07
Planejamento Prático da Alta
- Antes da alta, solicite uma reunião conjunta entre sua rede de apoio e a equipe profissional para sanar dúvidas essenciais, tais como higiene, curativos e horário de medicamentos.
- Organize uma escala de cuidados semanal prevendo quem poderá lhe auxiliar durante o dia e durante a noite no domicílio.
08
Pasta de Emergências
- Mantenha sempre organizada uma pasta contendo seus documentos, exames e receitas de medicamentos.
- Mantenha principalmente a carta detalhada da última equipe de saúde, pois ela vai nortear as ações rápidas em caso de surgimento de dores ou sintomas incontroláveis em casa.
09
Apoio Emocional Adequado
- Busque a companhia de pessoas dispostas a escutar seu momento, sem invalidar suas emoções com frases "motivacionais" vazias (ex: exigir que "tudo vai ficar bem" sem saber as perspectivas).
- Valorize aqueles que se conectam com você e enxergam a sua pessoa além da doença em si.
10
Relatório de Vida e Desejos
- Se possível, expresse ou grave registros com as suas vontades sobre tratamentos que quer ou recusa enfrentar, caso chegue um momento onde não consiga mais se comunicar.
- Defina quem será a sua "voz" nas decisões, deixando claros os motivos de suas escolhas.
- Aproveite as oportunidades para expressar amor, gratidão e esclarecer pendências.
11
Busca por Paz e Práticas Integrativas
- Reflita sobre o que lhe dá paz a cada dia e comunique isso à sua rede de apoio.
- Considere explorar formas não-medicamentosas de conforto e alívio do sofrimento que estejam ao alcance: arte, música, meditação, leitura, espiritualidade ou outras práticas integrativas de bem-estar.